domingo, 14 de julho de 2013

Desesperadamente, eu sei que vou te amar.

Às vezes é desesperador, e ontem  foi um dia desses, de um desespero sufocado, abafadamente forte. Como eu senti tua falta, Céus!, como eu senti tua falta. Sem que ninguém percebesse. Eu era mais um ali, uma frieza, uma oportunidade, um lugar de sempre, com as pessoas de sempre...Por fora. Por dentro, meu nome era saudade, e minha saudade, como de costume, não tem rosto, mas tem sentimento. Acontece assim: do nada, uma música me faz sentir tudo aquilo que está preparado para ser contigo, os momentos bons e os nem tanto, tudo na intensidade de algo que é por toda a vida. E, quando a música vai chegando ao fim, eu tento me agarrar loucamente ao momento que eu percebo se esvair, já sei que a próxima canção será distante de nós e que eu nada mais vou sentir. Aí vem a saudade... Que falta tu me fazes, meu amor! Mais do que te encontrar, eu preciso te viver de uma vez, o encontro é só um detalhe. Assim, não mais viverei só desses momentos súbitos e aleatórios, que me levam até a gente, mas que depois somem como querendo me dizer que são só um sonho, mera utopia.
Eu espero para viver ao lado teu, por enquanto, a espera  é a minha vida.

sábado, 11 de maio de 2013

O meu lábio não diz.

Quando ouvi alguém dizer que tristeza não implica infelicidade me deu um alívio. Em uma fase da vida, já nem lembro quando, desisti de lutar contra e resolvi assumir: sim, sou uma pessoa melancólica; acontece que nunca me considerei infeliz. O que me rouba - ou tenta roubar - a felicidade é a culpa, culpa que sinto cada vez que me martirizo por não conseguir nem insistir ser alegre o tempo inteiro. Vejo fatos, acontecimentos e sentimentos de maneira um tanto cinza, quase sempre mediados por uma atmosfera que os leva a serem pensados. Seria a reflexão triste? Não sei. O que se passa é que penso, reflito, deixo o bom ser tanto, tanto, TANTO, que começa a causar dor, uma dor que me faz imergir no que não sei, no que não é aparente, e isso nem sempre me deixa alegre, mas não quer dizer que seja infeliz.
Se eu não tivesse amor em mim para ser "amor por" ou para agir "por amor"; se eu não tivesse superado tanto até aqui; se eu não estivesse hoje viva, sentindo a vida pulsando em mim, na melancolia, na alegria, no choro, no riso, eu poderia talvez me supor infeliz. Mas não. Eu consigo pensar no que vivi, vivo ou viverei sem disfarces de alegria e mansidão plenas; consigo ver o matiz que fez do amor a dor, do riso o pranto; consigo sentir medo de um futuro que  não conheço sem, no entanto, desistir de ter esse futuro. Depressiva? Não sei se pode ser diagnosticado com depressão quem tanto tenta, quem tem ainda tanta força. A melancolia não rouba força, a falsa alegria talvez sim... Implica tanto esforço.
O fato: eu não vou mais me culpar, não vou mais disfarçar quem sou. Isso é ser feliz, mais do que estar feliz.

domingo, 21 de abril de 2013

E se ela só decora o seu papel?

Da semana passada, acumulada sobre muitos outros dias, semanas, meses. Ela pensa em desistir. Na verdade, quanto mais perto do hoje, mais isso tem deixado de ser um pensamento para se tornar um fato: ela vai desistir. Agora, já chega! Mas não é parar de tentar, que não lhe venham com textos prontos de autoajuda. A desistência diz respeito a não mais fingir. Um pouco mais complexo: um não mais fingir que não  finge. Ela finge mesmo, atua com legitimidade. Então, para quê se comportar de maneira diferente? Atrás de ideais que não são seus... São esses os passos que a guiam nesta madrugada, uma nova determinação de uma imitação de vida. Quer amigos, quer família, quer cultura; mas desde que isso não a obrigue a deixar de ser atriz. É muito mais pessoal do que profissional. É muito mais artista do que cientista.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

O nosso amor se transformou em "Bom dia".

Perdemos muita coisa pela vida. Muito foi ficando pelo meu caminho, talvez para que eu me encontrasse. Ou talvez nada disso esteja relacionado. Eu perdi você. Aliás, devo ter perdido uns dois ou três de você. E, sempre que chega esta época, pelo menos uma vez ao mês, em que a sensibilidade me surpreende de maneira absurda, eu penso no que perdi. Muita coisa. Mas isso não seria nada se as coisas não fossem consequências de pessoas perdidas. Não sei em que vão de dedos, em que desapego da memória, em que birra. Perdi. E, com isso, se foi um pouco de mim, um pouco do que eu sou hoje, mas também do que eu esperava para o meu futuro. E agora? Tem como recomeçar? Espero que sim, contudo digo que não. Porque dizer que não parece que "ah, tô nem aí, se acontecer é lucro"; porém eu quero louca e desesperadamente que aconteça. Digo: que venha o novo! Mas quero mesmo lhe reencontrar e lhe unir a tudo de bom que eu encontrei em mim quando você perdi. Já foram dois ou três de você... Se vier um, aparentemente novo, mas parecido, eu aceito. Mas se um dos de você fizer a volta na fila e novamente me encontrar, não vou perder a chance. Espero que você também não perca. A gente nunca deixa ir algo que não quer se perder e se agarra a nossa pele com todas as forças.

Trilha sonora: um dia um caminhão atropelou a paixão.

segunda-feira, 25 de março de 2013

S1.E01 - Vidas vindas (I)

Têm sido dias difíceis. Esta mudança toda inclui deixar muita coisa para trás, muita coisa que eu não queria deixar. Mas o novo também pode ser bom e proveitoso, e lá me vou, estou na porta do Tropicália Ensino para iniciar uma nova etapa.
Não, eu não saí fugida (pelo menos não literalmente) de uma duvidosa vida regressa, também não tenho grandes problemas na família, nem de grana, enfim... sou tipicamente normal. O que me trouxe aqui, ao novo, foi mesmo o sonho de viver da arte. No Tropicália, tem espaço para tudo, inclusive para meus cenários e figurinos, assim espero. O teste foi assim. É, pra entrar lá é preciso fazer um teste, faz parte do processo de seleção. Além da clássica prova múltipla escolha e da redação, é preciso enviar uma proposta artística e defendê-la/ representá-la/ apresentá-la no dia marcado. Então, estando provinha beleza e redação beleza, meu nome estava lá nos pré-selecionados, faltava só o tal teste. Pois vamos a ele: dia 04/02, às 7h15min, sim, nessa hora desumana da manhã eu teria que estar linda, forte e segura para fazer minha arte apresentável.
Achei que teria o teatro vazio, tipo testes de elenco que vemos em filmes; mas não... mil vezes que droga puta que pariu! não. A sala estava cheia de alunos antigos, com cara de tão sabidos e experientes. Apesar de, na verdade, eu saber que tinham, no máximo, seus vinte e poucos, pareciam senhores, grandes monstros consagrados do teatro.

- Ana Franciscano! Ana Franciscano!

Era eu... é, sou essa, a possível caloura de 16 anos, saindo do meio das cortinas com seu lencinho no cabelo e seu teatrinho infantil. Por dentro: meu Deus! Vou ser massacrada com uma apresentação dessas. Se, por um milagre, passar, vou ser o bullying certo para o Tropicália inteiro, durante muito tempo. Por fora: sobrancelha arqueada, sombra lilás, rímel azul turquesa, expressão séria e respeitável. Fui.
Eu e minha caixinha.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sobre o encontro (ou o esbarrão de longe; ou o choque; ou a conversa de olhares; ou a autoestima da mocinha)


- Quando ela passou, ou melhor, quando eu passei por ela, senti que o olhar me examinava mesmo estando displicentemente calculado pra outro lado.

- E foi só isso? Todo esse estrago porque ela passou? Sendo que é o presente do seu passado?

- Caê, EU PASSEI POR ELA, já disse. Ela tava atrás de mim o tempo todo, me examinando silenciosa. Quando eu virei, só a reconheci por um golpe de sorte, ou perspicácia, quando percebi aquele olhar de exame. Tipo:"ela nem é tão bonita, é? Ela tem dinheiro? Deixa eu ver que roupa é essa..."

- Pode ser, aliás, é bem provável que seja, que ela nem tenha te visto. Mas, se nessa sua hipótese de louca-psicótica-maníaco-depressiva, ela te olhou e realmente te viu, como eu tô vendo agora, pode ter pensado no quanto você é linda, suave, forte, essa coisa toda de poder, enfim!

- Cê me faz rir hein, menino? (risos) ... Só você pra me fazer pensar assim... Senti minha autoestima inexistindo na hora... Surgiu um vento tipo clipe de Beyoncé enquanto a menina virava os cabelos de um lado para o outro e atendia ao chamado do nome dela: Carolina! Sim, ela ainda tinha uma amiga saindo de uma loja de roupas caras, e eu contando meu dinheiro... (muitos risos debochados; abraços e petelecos)

- Ana, na boa, você deixa de se amar muito rápido.

- Eu tô tentando, Caê. Eu tô tentando...

sábado, 2 de março de 2013

Personagens: alteridade

É noite.Chove. Ou melhor, não chove; mas eu ouço barulho de chuva. Ouço insistentemente um barulho de chuva. Pingos fortes, espaçados, desconexos... desses de chuva seca, endoidecida pelo vento. É um prenúncio, deve ser um prenúncio de lavagem, de mudança, que começou em mim, que sai de mim para o mundo. Meu mundo.

(Como pode alguém ser tão egoísta? Ela parece fria, amarga, fechada. Fachada? Não se vê luz de longe; mas, de perto, mal se consegue olhar sem arder os olhos. Quando fala, é assim, sempre sobre ela. Diz que presente "coisas" e que isso é só um tanto do muito que a difere de todo mundo. Como  se soubesse o que é o "todo mundo"... É bom ser perdida assim? Se, ao menos, de seu jeito torto, ela tivesse se encontrado, para, então, encontrar a todos.)

O que aconteceu hoje? Pensei e agi do modo certo? Agi do modo que pensei para não precisar pensar no como agi depois? Meu interesse é mudar, é conseguir ser tantos outros, alterar-me em vários tu(s). Relações são cárceres, modelagens de pessoas. Dois viram um. Um deformado, porque  são dois. Eu quero sair, sair, sair! Não sou só eu, somos nós. Eu quero ser todos. Eu quero ser.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sobre?

Este espaço foi criado por mim com o intuito bem egoísta de me tonar melhor e mais feliz pondo para fora boa parte do que sou (aquilo que diz ali, no "sobre a autora"),  e não guardando tudo na minha cabeça excessivamente pensante. Sim, eu penso e crio demais praticamente todo o tempo, mas nada registro. Talvez,  deixando partes por aqui, eu não enlouqueça, ou enlouqueça menos do que estou habituada.
Eu crio roteiros constantemente em minha cabeça, também vivo meus próprios roteiros e vejo roteiros sendo vividos. Como me calar diante disso? 
Enfim, este lugar é  minha pretensão latente de escrever e transformar tudo em arte, ou de ver a arte transformando o que eu vivo. Difícil explicar, mas é um grande passo para que eu me force a fazer o que sempre quis, o que acho que nasci para; mas para o que a roda viva parece estar me empurrando cada vez mais para longe.
Eu não quero parar, quero roteirizar, produzir, interpretar!

Um beijo para você que por acaso me ler, não me sentirei tão egoísta assim.
Isso tende a melhorar.