sábado, 11 de maio de 2013

O meu lábio não diz.

Quando ouvi alguém dizer que tristeza não implica infelicidade me deu um alívio. Em uma fase da vida, já nem lembro quando, desisti de lutar contra e resolvi assumir: sim, sou uma pessoa melancólica; acontece que nunca me considerei infeliz. O que me rouba - ou tenta roubar - a felicidade é a culpa, culpa que sinto cada vez que me martirizo por não conseguir nem insistir ser alegre o tempo inteiro. Vejo fatos, acontecimentos e sentimentos de maneira um tanto cinza, quase sempre mediados por uma atmosfera que os leva a serem pensados. Seria a reflexão triste? Não sei. O que se passa é que penso, reflito, deixo o bom ser tanto, tanto, TANTO, que começa a causar dor, uma dor que me faz imergir no que não sei, no que não é aparente, e isso nem sempre me deixa alegre, mas não quer dizer que seja infeliz.
Se eu não tivesse amor em mim para ser "amor por" ou para agir "por amor"; se eu não tivesse superado tanto até aqui; se eu não estivesse hoje viva, sentindo a vida pulsando em mim, na melancolia, na alegria, no choro, no riso, eu poderia talvez me supor infeliz. Mas não. Eu consigo pensar no que vivi, vivo ou viverei sem disfarces de alegria e mansidão plenas; consigo ver o matiz que fez do amor a dor, do riso o pranto; consigo sentir medo de um futuro que  não conheço sem, no entanto, desistir de ter esse futuro. Depressiva? Não sei se pode ser diagnosticado com depressão quem tanto tenta, quem tem ainda tanta força. A melancolia não rouba força, a falsa alegria talvez sim... Implica tanto esforço.
O fato: eu não vou mais me culpar, não vou mais disfarçar quem sou. Isso é ser feliz, mais do que estar feliz.

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Gentileza faz tão bem.