segunda-feira, 25 de março de 2013

S1.E01 - Vidas vindas (I)

Têm sido dias difíceis. Esta mudança toda inclui deixar muita coisa para trás, muita coisa que eu não queria deixar. Mas o novo também pode ser bom e proveitoso, e lá me vou, estou na porta do Tropicália Ensino para iniciar uma nova etapa.
Não, eu não saí fugida (pelo menos não literalmente) de uma duvidosa vida regressa, também não tenho grandes problemas na família, nem de grana, enfim... sou tipicamente normal. O que me trouxe aqui, ao novo, foi mesmo o sonho de viver da arte. No Tropicália, tem espaço para tudo, inclusive para meus cenários e figurinos, assim espero. O teste foi assim. É, pra entrar lá é preciso fazer um teste, faz parte do processo de seleção. Além da clássica prova múltipla escolha e da redação, é preciso enviar uma proposta artística e defendê-la/ representá-la/ apresentá-la no dia marcado. Então, estando provinha beleza e redação beleza, meu nome estava lá nos pré-selecionados, faltava só o tal teste. Pois vamos a ele: dia 04/02, às 7h15min, sim, nessa hora desumana da manhã eu teria que estar linda, forte e segura para fazer minha arte apresentável.
Achei que teria o teatro vazio, tipo testes de elenco que vemos em filmes; mas não... mil vezes que droga puta que pariu! não. A sala estava cheia de alunos antigos, com cara de tão sabidos e experientes. Apesar de, na verdade, eu saber que tinham, no máximo, seus vinte e poucos, pareciam senhores, grandes monstros consagrados do teatro.

- Ana Franciscano! Ana Franciscano!

Era eu... é, sou essa, a possível caloura de 16 anos, saindo do meio das cortinas com seu lencinho no cabelo e seu teatrinho infantil. Por dentro: meu Deus! Vou ser massacrada com uma apresentação dessas. Se, por um milagre, passar, vou ser o bullying certo para o Tropicália inteiro, durante muito tempo. Por fora: sobrancelha arqueada, sombra lilás, rímel azul turquesa, expressão séria e respeitável. Fui.
Eu e minha caixinha.

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Gentileza faz tão bem.