sábado, 2 de março de 2013

Personagens: alteridade

É noite.Chove. Ou melhor, não chove; mas eu ouço barulho de chuva. Ouço insistentemente um barulho de chuva. Pingos fortes, espaçados, desconexos... desses de chuva seca, endoidecida pelo vento. É um prenúncio, deve ser um prenúncio de lavagem, de mudança, que começou em mim, que sai de mim para o mundo. Meu mundo.

(Como pode alguém ser tão egoísta? Ela parece fria, amarga, fechada. Fachada? Não se vê luz de longe; mas, de perto, mal se consegue olhar sem arder os olhos. Quando fala, é assim, sempre sobre ela. Diz que presente "coisas" e que isso é só um tanto do muito que a difere de todo mundo. Como  se soubesse o que é o "todo mundo"... É bom ser perdida assim? Se, ao menos, de seu jeito torto, ela tivesse se encontrado, para, então, encontrar a todos.)

O que aconteceu hoje? Pensei e agi do modo certo? Agi do modo que pensei para não precisar pensar no como agi depois? Meu interesse é mudar, é conseguir ser tantos outros, alterar-me em vários tu(s). Relações são cárceres, modelagens de pessoas. Dois viram um. Um deformado, porque  são dois. Eu quero sair, sair, sair! Não sou só eu, somos nós. Eu quero ser todos. Eu quero ser.