sexta-feira, 8 de março de 2013

Sobre o encontro (ou o esbarrão de longe; ou o choque; ou a conversa de olhares; ou a autoestima da mocinha)


- Quando ela passou, ou melhor, quando eu passei por ela, senti que o olhar me examinava mesmo estando displicentemente calculado pra outro lado.

- E foi só isso? Todo esse estrago porque ela passou? Sendo que é o presente do seu passado?

- Caê, EU PASSEI POR ELA, já disse. Ela tava atrás de mim o tempo todo, me examinando silenciosa. Quando eu virei, só a reconheci por um golpe de sorte, ou perspicácia, quando percebi aquele olhar de exame. Tipo:"ela nem é tão bonita, é? Ela tem dinheiro? Deixa eu ver que roupa é essa..."

- Pode ser, aliás, é bem provável que seja, que ela nem tenha te visto. Mas, se nessa sua hipótese de louca-psicótica-maníaco-depressiva, ela te olhou e realmente te viu, como eu tô vendo agora, pode ter pensado no quanto você é linda, suave, forte, essa coisa toda de poder, enfim!

- Cê me faz rir hein, menino? (risos) ... Só você pra me fazer pensar assim... Senti minha autoestima inexistindo na hora... Surgiu um vento tipo clipe de Beyoncé enquanto a menina virava os cabelos de um lado para o outro e atendia ao chamado do nome dela: Carolina! Sim, ela ainda tinha uma amiga saindo de uma loja de roupas caras, e eu contando meu dinheiro... (muitos risos debochados; abraços e petelecos)

- Ana, na boa, você deixa de se amar muito rápido.

- Eu tô tentando, Caê. Eu tô tentando...