domingo, 9 de março de 2014

Um conto sem destino (2): Diálogos

- Oi, meninas! E aí?
- Oi. (2)

Tudo bem? lembramos de vocês, da noite da peça. Você é a Marina, não é? Siiiim, lembra meu nome?!  Lembro, claro, você falou comigo. Nooossa, eu falei com você, é mesmo... que vergonha.

Todos lembravam tudo. Claro que todos lembravam. Ela era como uma promessa do amigo que não tinha podido estar ali para desfrutar do prêmio. A outra era o prêmio prometido do mister sexappeal ali presente. E tinha o outro, o moço que era bonito, que tinha a cor do sol, do verão em dia bom, do dourado da estação [isso é a cabeça dela]. Será que o outro sabia da tal promessa? Todos sabiam de tudo. Todos fingiam não lembrar nada, ou quase nada. Como se fosse a primeira vez, foram. 

A que gostava de um menino parece ter superado logo o trauma da noite. Os pelos, apelos e cabelos conduziram-na a uma felicidade bem falsa, mas bem gostosa. A falsa vida é tão boa quando degustada...
Já a que havia amado um menino e era promessa de alguém que não veio vivia um conflito interior. Muitas convicções, muitos medos do não vivido não a deixavam ser normal. O que não sabia é que isso não atrai pessoas lá muito normais... De perto, ninguém é normal? Bom, mas nem tudo precisa ser tão absurdo nesta vida...

Os dois. A sós.

- Você disse que sou bonito? Nossa, até esqueci do que eu tava falando... 
- Eu gosto de escrever, tô escrevendo uma série, por isso me interessei muito pela peça de vocês.... 
- Você têm uma série escrita? 
- Bom, uma parte dela... 
- Ela é boa? 
- Não sei, gosto é algo tão relativo. Da minha perspectiva, é sim. 
- Renderia dinheiro? 
- Eu não sei... 
- Bom, uma história boa deve prender a atenção, com acontecimentos interessantes. 
- Hum. 
- Dizem que eu sou um cara muito interessante. 
- Nossa... e presunçoso, imagino. 
- Não é isso, mas minha vida é muito interessante. Eu vou te contar minha vida, posso? 
- Toda a sua vida? 
- Não, só a primeira temporada, mas não vai roubar minha história.

Uma conversa de simples flerte que começa assim não poderia indicar algo bom. Ela deveria ter desconfiado. Ela desconfiou, mas pagou pra ver. 

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Gentileza faz tão bem.