sexta-feira, 14 de março de 2014

Em um relacionamento sério

Será o excesso de autoestima alternado com a ausência dessa postura? Serão todas as convicções que andam comigo desde que me entendo por gente e que não deixo nem quero que me abandonem? Será a crença no amor, assim, cristão, infindo, certo e duradouro, ainda que feinho e difícil? Será que é porque eu adoro uma rotina? Será que é meu nojinho, minhas manias de limpeza, minha vontade de conhecer antes de tocar? Serão as prenúncias de feminismo, a não aceitação da intolerância, a luta contra qualquer discriminação e preconceito? Será a imensa vontade de ficar em casa vendo um bom filme e comendo besteiras em vez de ter de me arrumar toda e sair pra um lugar cheio e barulhento? Será meu vício em assistir a seriados dos anos 90? Será minha religião? Será meu desejo de ter filhos? Será o, desde o início exigido, respeito? Será a melancolia? Será minha complexidade? Será minha simplicidade? Será o meu não saber mostrar interesse? Será minha solidão? Será meu pensamento? Será minha falta de experiência? 
Será o estilo pouco convencional de misturar tendências, estilos, meias e cores como bem entendo? Será que é por não fazer as unhas e cortá-las tão curtas quanto o dedo? Serão meus batons vermelhos alternados com batom nenhum por não-estar-com-saco-pra-isso? Será a minha cor de pele, os meus lábios grossos, a minha testa larga? Será meu cabelo? Será minha negritude? Serão minhas roupas baratas de loja de departamento? Será minha mpb? Meu samba? Serão meus cílios postiços? Será meu perfume Thaty?

Será o que aparento ser? Será o que sou?
O que de mim é o grande problema pra você?

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Gentileza faz tão bem.