Oi, tudo bem? É um início frio, eu sei, mas não queria chegar assim, sendo toda essa sensibilidade que você deve bem lembrar. O tempo passou, e eu ando cada vez mais louco, Ana. Viver não pode ser sinônimo de enlouquecer, isso não deve estar certo. Pensando em você hoje, percebi quais os sofrimentos podem ser evitados, contornados, atenuados, confortados: os que vêm do desamor. Achei que fosse baboseira sua, mas o amor tudo cura, faz renascer, faz com que o mais frágil se sinta ainda com um reservatório secreto e precioso de força. É com essa força que lhe rememoro. Então, por que ainda nos permitimos o sofrimento? É tão melhor amar... Não que seja menos trabalhoso, mas sempre teremos alguém em quem descansar. Não teremos?
Só para que você saiba, para mim, o amor não é só um detalhe, nunca foi. Era mentira o que lhe disse aquela noite, mas na época eu não sabia. Rotineiramente, meu coração se aflige, fica um gosto de lágrima entre o nariz e a garganta, talvez pelo orgulho, talvez pelo cansaço da cena repetida, e eu fico cá pensando... O que será feito de mim sem o amor? O que será feito de nós? O que foi feito de nós, se eu começo com um "oi, tudo bem"?
É só um leve desespero, Alice. Eu escrevo só para dizer que amar é ganho, sem ser desmembrado em etapas, com regras e momento certo ou errado de se manisfestar. Eu escrevo para dizer que seu amor faz falta, que esperar você atormenta, mas, se eu souber que a espera um dia terá fim, com sua chegada, tudo voltará a fazer sentido. É piegas, eu sei, mas é real também.
Trilha sonora: só sei que a gente inventa amor, e dor, e tudo o que nos satisfaz.