quinta-feira, 10 de abril de 2014

Aos treze

Quando a rotina é luta, fica tudo tão cansativo... Eu não estou como eu gostaria de viver. Isso é tão complexo, que comemoro, pelo fato de quase ninguém entender ou sequer notar. O passado parece distante, mas está perto. O fio invisível é tão certo, que tenho medo... Qualquer deslize meu e tudo volta a ser como antes. Pode alguém não ser nada saudosista? Isso existe? Penso que tudo o que vivo agora, assim como o que já vivi, é transitório, apenas ponto de passagem para a minha verdadeira vida.

A aula começou cedo, e tudo começa sempre muito cedo para ela. F. e Ana mordiscam pastéis gordurosos enquanto L. e A., chapados de sol, mantêm-se imóveis na grama.
F.: - Já deixei tudo combinado pra hoje á noite.
A.: - Vou tentar chegar antes pra ajudar, tipo fim de  tarde.
L.: - Vocês falam como se fosse uma festa, como se houvesse algo a comemorar.
Ana, levantando-se de joelhos sobre a grama, abre os braços:
- Vamos comemorar a comitragicidade da ironia que é a minha vida!
N.: - Olha aí, derrubou o pastel, porra!
Ana: - Não se preocupa, como qualquer coisa depois.
F. sai dali ao ver P., vão conversar sobre todos aqueles assuntos só delas. A. usa fones de ouvido.
L.: Que eles se envolvam querendo fazer uma despedida pra você eu até entendo, mas te ver com esse sorriso falso e com essa paz que é trêmula...Isso não. Me poupe!
Ana: - L., eu não tenho escolha. Tenho rezado, tentado conversar, lutado... Mas esgotei as forças. Não tem como vencer a senhora dos absurdos.... Então, preciso fingir. Escolhi a pose tranquila.
L.: - Já é horrível saber que nem suponho o que vai ser de mim sem você, e ainda tem esse pavor de não saber o que vai ser da sua vida.
Ana: - Acho que tem uma fase em que as pessoas, quer dizer, os pais se esquecem da gente pra compensar o que provavelmente faremos com eles na sua velhice.
L.: - Fase longa pra nós. Agora sozinhas.



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Gentileza faz tão bem.